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O DIA DO ESTUDANTE: Dia de luta e resistência!

Por Marcos Barreto

A APLB-Sindicato, junto com os professores e trabalhadores em educação de todo o Estado da Bahia, vem homenagear aqueles que atuam como parceiros na incansável busca em defesa de uma educação gratuita e de qualidade e que se apresentam, em anos anteriores e também na atual conjuntura, de forma organizada, aguerrida e essencial nesta luta que é de todos nós: O Estudante!

O Dia do Estudante tem sua origem relacionada a alguns fatos que precisam ser trazidos à reflexão diante do momento político que o Brasil enfrenta.

Em 11 de agosto de 1827 foram criadas as duas primeiras faculdades de Direito do Brasil, pelo Imperador D. Pedro I, uma em Olinda-PE e a outra, em São Paulo-SP. Quando da comemoração do centenário destas faculdades, se propôs pela primeira vez no Brasil a criação do Dia do Estudante! Motivo pelo qual também se comemora o Dia do Advogado.

Porém, outro fato se relaciona com a celebração desta data: o assassinato – pela ditadura militar fascista – do estudante Luís Edson de Lima Souto, na época com 17 anos, nas dependências do Restaurante Estudantil Calabouço, no Rio de Janeiro.

Edson Luís era filho de Belém do Pará, filho de lavadeira e migrou para o Rio para estudar o Segundo Grau no Instituto Cooperativo de Ensino. Para se sustentar, engraxava sapatos dos colegas e limpava o restaurante. Os militares chamavam a escola de “Instituto Comunista de Ensino”, em função das luta dos estudantes para obter melhoria nas condições de ensino, encabeçadas pela União Metropolitana dos Estudantes –UME e pela Frente Unida de Estudantes do Calabouço – FEUC, com a sede no próprio restaurante.

Em 28 de março de 1968, após uma manifestação relâmpago da UME e FEUC, na rua onde era situado o Calabouço , os militares usaram bombas para intimidar e dispersar cerca de 800 estudantes que resistiram arremessando pedras e outros objetos com que pudessem se defender. Diante do poder de fogo dos militares, os estudantes buscaram abrigo nos restaurante. Contudo, os militares invadiram o restaurante atirando e atingindo sete estudantes e matando dois, Benedito Frazão, que morreu no hospital, e Edson, que recebeu um tiro no peito a queima roupa por uma projetil de 45mm causando sua morte imediata.

Com o receio de que o corpo de Edson desaparecesse, os estudantes não permitiram que os militares o retirassem. Em seu enterro compareceram 50 mil pessoas.

A morte de Edson representa um exemplo da luta juventude contra os abusos e desmandos do regime capitalista que se utiliza de qualquer expediente para garantir seus interesses, que financiam desde a compra de votos à instalação de regimes ditatoriais, inclusive com uso de repressão e tortura, como vistos ainda hoje na mídia nacional e internacional.

Na atualidade, os estudantes brasileiros enfrentam outro golpe contra a democracia! Seu futuro está comprometido com as reformas de um governo golpista que retira direitos trabalhistas, condena-os a trabalhar até morrer e impõe uma reforma do Ensino Médio, em que sua última alteração se iniciará pelo Ensino Fundamental.

Nossos jovens ainda estão na luta e precisarão voltar às ruas para resistir contra os retrocessos que podem ser comparados aos enfrentados pelos estudantes da década de 1960, em plena ditadura militar!

O Dia do Estudante também é o dia de gritar:

EDSON LUÍS VIVE!

E ele certamente, estaria nas ruas lutando por DIRETAS JÁ!

Marcos Marcelo Barreto – Pedagogo, Psicomotricista e Músico. Professor da SMED e diretor da APLB-Sindicato.

 

 

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